Introdução

Tecnologia, saúde e falta de informação, uma combinação que pode gerar vários problemas relacionados à saúde do usuário. Este blog tem como finalidade apresentar alguns aspectos sobre os malefícios causados pela falta de informação e mau uso da tecnologia.

Mostrando postagens com marcador Guilherme. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guilherme. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Nanotecnologia entre o bem e o mal


Um setor da ciência de ponta que consome
investimentos de US$ 6 bilhões anuais no mundo está
recebendo sinal amarelo. Produtos da nanotecnologia,
área que desenvolve partículas e dispositivos que
medem poucos nanômetros (milionésimos de
milímetro), podem trazer riscos ambientais e de saúde,
indicam estudos.
O risco é controlável, dizem os cientistas, e nada tem
de parecido com as paranóias da ficção científica, mas é
preciso tomar cuidado para que o uso irresponsável da
técnica não acabe ofuscando os benefícios que ela pode
trazer.
A nanotecnologia promete revolucionar a eletrônica com
a redução de chips em até mil vezes e já está
auxiliando a engenharia com materiais altamente resistentes e leves. Alguns desses compostos,
sobretudo os derivados de grafite, já estão sob escrutínio de pesquisas que identificaram
propriedades tóxicas neles. "O objetivo do nosso trabalho é entender o que tem de ser feito para
que esses materiais possam ser fabricados, usados e descartados de maneira segura e
ambientalmente correta", disse a GALILEU o pesquisador Mason Tomson, da Universidade Rice, de
Houston, no Texas.
O fato de Rice, considerada um dos berços da nanotecnologia, estar agora alertando para seus
riscos pode parecer contraditório, mas faz sentido. Cientistas temem que a discussão sobre os
perigos da nanotecnologia avance rápido demais e decisões políticas tenham de ser tomadas sem
que o conhecimento necessário esteja disponível. Nos últimos anos isso aconteceu, por exemplo, no
debate sobre alimentos transgênicos.
O alvoroço em torno dos problemas que a nanotecnologia pode trazer começou no ano passado,
após a ONG ambientalista ETC Group ter pedido uma moratória mundial na produção de
nanoprodutos, já que ainda não há leis regulando o que pode ou não ser feito. "Por causa dessa
negligência absurda e porque consumidores já estão sendo expostos a nanopartículas sintéticas, um
pedido de moratória é a única resposta política razoável", diz o diretor da entidade Pat Mooney.
A proposta de moratória, porém, parece ser um pouco
exagerada. O próprio Greenpeace, uma das organizações mais
ativas contra alimentos transgênicos, acha que a ciência do
minúsculo deve trazer mais benefícios do que problemas. "A nanotecnologia pode oferecer o
caminho para um sistema mais limpo de geração de energia", declarou Douglas Parr, cientista-chefe
do Greenpeace britânico. Um parecer que a entidade encomendou a cientistas do país, porém,
aponta algumas preocupações.
Muitas aplicações da nanotecnologia ainda estão restritas a laboratórios, mas algumas delas são tão
comuns quanto ir à praia e tomar um pouco de sol. Quem já se lambuzou com uma loção de
bloqueador solar das mais recentes, por exemplo, já deve ter tido contato com nanopartículas de
Desinformação sobre potencial
tóxico de nanoprodutos traz risco
de crise como a dos transgênicos
óxido de zinco. Essa substância protege a pele de raios ultravioletas, mas na forma de partículas da
ordem de micrometros (milésimos de milímetro) o creme branco não é absorvido e fica aparecendo
no rosto. Em partículas nanométricas, o creme fica invisível a olho nu, mas não se sabe se elas são
100% seguras.
A paranóia do bloqueador solar ainda carece de fundamento, já que estudos de toxicologia
precisariam abordá-la mais a fundo, mas outros tipos de nanopartículas já se mostraram nocivos em
experimentos sérios. Uma das instituições mais preocupadas em saber o efeito de partículas e
dispositivos nanométricos para a saúde é a Nasa, a agência espacial dos EUA. Os astronautas
geralmente estão entre os primeiros a entrar em contato com equipamentos de alta tecnologia e
devem ser expostos a materiais nanoestruturados nos produtos usados em espaçonaves.
Um experimento do toxicologista Chiu-Wing Lam, do Centro Espacial Johnson, no Texas, apontou
para o efeito prejudicial de fibras de nanotubos no organismo de camundongos. "Se os nanotubos
chegarem aos pulmões, eles podem ser mais tóxicos do que o quartzo, que oferece sério risco em
saúde ocupacional", diz. Aparentemente, essas fibras sintéticas oferecem risco apenas quando estão
suspensas no ar na forma de partículas nanométricas, mas não quando formam aglomerados
maiores.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ciência e Tecnologia em Saúde

Política de ciência, tecnologia e inovação em saúde

Reinaldo Guimarães

Desde janeiro de 2003 o Brasil possui um novo governo, eleito numa forte perspectiva de mudança nos rumos políticos do país. No campo da saúde, o sentido da mudança é o aprofundamento do processo da reforma sanitária brasileira, com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, núcleo daquela reforma. Existe um consenso bastante amplo de que a pesquisa em saúde tem sido um componente negligenciado nas políticas de saúde e de que é tarefa do momento presente uma mudança importante nos padrões da política de pesquisa em saúde no país.

Uma visão geral da pesquisa em saúde no Brasil

Atualmente a pesquisa em saúde no Brasil é realizada por cerca de 4.900 grupos de pesquisa, com 18.000 pesquisadores (11.000 detentores de titulação doutoral) e circunscreve entre 25% e 30% do esforço global de pesquisa no Brasil. Trata-se do maior componente científico-tecnológico do país. Cerca de 50% do esforço de pesquisa em saúde provêm de grupos vinculados às ciências da saúde, cerca de 25% provêm de grupos vinculados às ciências biológicas e os 25% restantes de grupos das demais grandes áreas do conhecimento. Os 25% das ciências biológicas referem-se quase exclusivamente a grupos pertencentes às áreas de bioquímica, biofísica, fisiologia, farmacologia, imunologia, neurociências, investigação clínica, genética, microbiologia e parasitologia. Dentre as demais grandes áreas do conhecimento, as ciências agrárias, as ciências humanas e as ciências sociais aplicadas possuem uma presença maior. As engenharias e as ciências exatas e da Terra estão presentes em grau bastante pequeno. São precárias as estimativas sobre gastos com pesquisa em saúde no Brasil. Levantamento preliminar do fluxo de recursos públicos para a pesquisa em saúde em 2001 atingiu um volume de R$ 500 milhões.

As estimativas dos recursos financeiros privados destinados a financiar pesquisa em saúde são ainda mais precárias. Pesquisa recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sobre o panorama nacional da inovação tecnológica revelou, para todos os segmentos industriais, que a taxa de inovação no Brasil é similar à da Espanha, valendo cerca de 35%. No entanto, cerca de 60% das inovações relatadas foram compras de novas máquinas para melhorar produtos já existentes no mercado nacional ou na própria carteira de produtos da firma. Quanto às atividades de pesquisa e desenvolvimento nas empresas, a situação parece ser ainda muito mais precária.

Uma outra forma de analisar a situação nas empresas é medir a presença de recursos humanos envolvidos com atividades de pesquisa e desenvolvimento. No ano da realização da pesquisa (2001), para todos os segmentos industriais pesquisados, foram contabilizados menos de mil empregados com titulação doutoral envolvidos com atividades de pesquisa e desenvolvimento. Apenas para comparar, em 2001 existiam cerca de 35.000 pesquisadores doutores em atividade no país.

No quadro geral dos países em desenvolvimento, tanto para recursos financeiros públicos destinados à pesquisa em saúde, quanto para recursos humanos envolvidos com ela, a situação do Brasil não parece ser muito desconfortável. No entanto, numa visão mais aprofundada, problemas importantes começam a aparecer. Quanto aos recursos humanos, esses problemas ficam mais claros quando se estabelece a seguinte pergunta: "quantos dentre os 18.000 pesquisadores envolvidos com pesquisa em saúde estabelecem suas prioridades de pesquisa a partir de prioridades explícitas oriundas da Política Nacional de Saúde?"

Embora um inquérito entre pesquisadores em saúde não tenha sido realizado, as evidências disponíveis sugerem que os que estabelecem suas prioridades em consonância com diretrizes emanadas das políticas de saúde do país são menos do que o desejável. E, tradicionalmente, as explicações para este fato terminam por condenar os próprios pesquisadores. Seja por avaliações individuais (elitismo, alienação, etc.), seja por entender que a dinâmica globalizada da pesquisa científica, mediada pela pauta das revistas internacionais de maior impacto, determina essas escolhas, quase sempre voltadas para os interesses do mundo desenvolvido. É possível que haja pesquisadores elitistas ou afastados dos problemas de seu país, bem como é também verdade que a pressão do "publish or perish" é capaz de determinar escolhas de temas de pesquisa. No entanto, é possível que as explicações mais importantes para o padrão de escolha dos pesquisadores brasileiros em saúde seja mais simples. É possível que as escolhas sejam afastadas das prioridades da política de saúde porque essas políticas, no Brasil, apenas muito raramente geraram pautas de pesquisa prioritária. E provavelmente isso ocorreu porque a instituição responsável pela construção e implementação das políticas de saúde - o Ministério da Saúde - historicamente vem negligenciando a importância da pesquisa em saúde como ferramenta para a melhoria das condições de saúde da população. Algumas evidências sobre essa afirmativa serão apresentadas a seguir, ao discutirmos o perfil do financiamento público à pesquisa.

Pode-se dizer que, em termos setoriais, a pesquisa brasileira de maior sucesso hoje em dia é a pesquisa agropecuária. Este sucesso pode ser medido em termos de impacto científico, pois enquanto a presença de endereços brasileiros para o conjunto da pesquisa na base ISI situa-se em torno a 1,3%, no campo específico da pesquisa agropecuária está próximo de 3%. Mas podemos também medir aquele sucesso a partir da contribuição dessa pesquisa com as conquistas do agrobusiness no Brasil, que o colocam hoje na situação de grande produtor e exportador de um conjunto significativo de commodities. Para várias delas, a começar pela soja, a pesquisa científica e tecnológica teve um papel central.

Este resultado é produto de uma longa história, mas a articulação da pesquisa com as políticas públicas de desenvolvimento agropecuário ocorreu nos últimos 30 anos quando, em 1973, o Ministério da Agricultura criou uma agência de apoio à pesquisa agropecuária e estabeleceu uma agenda de pesquisa prioritária. Faço essa digressão com vistas a comparar o financiamento público atual neste setor com o financiamento à pesquisa em saúde.

Em 2001, o investimento anual per capita nos pesquisadores em agropecuária foi quase 40% maior do que o destinado a cada pesquisador em saúde. Além disso, a diferença no perfil do financiamento à pesquisa nos dois setores encontra-se exatamente na participação dos ministérios responsáveis pelos mesmos. Enquanto o Ministério da Saúde participa com 20% do total de investimentos públicos na pesquisa em saúde, o Ministério da Agricultura, através de sua agência, comparece com cerca de 40%.

As diferenças são evidentes. Pelo lado da pesquisa agropecuária temos o ministério responsável pelo setor numa posição central na gestão da política de pesquisa, uma agência de apoio, uma agenda de pesquisa prioritária, mais recursos per capita e melhores resultados de pesquisa. Pelo lado da pesquisa em saúde essa seqüência de eventos deve ainda ser conquistada.

Em conclusão desse breve diagnóstico da situação da pesquisa em saúde no Brasil, podemos afirmar que o país possui um bom estoque de recursos humanos em pesquisa, uma infra-estrutura razoável para os padrões do mundo em desenvolvimento e um financiamento público não desprezível. O que está faltando fazer será apresentado a seguir.

Uma política de ciência, tecnologia e inovação em saúde.

A desigualdade é o calcanhar de Aquiles da civilização brasileira. Todo o progresso conquistado por gerações, em todos os campos em que isso foi observado, esbarra na marca da desigualdade. Não é diferente no campo da saúde. Os indicadores regionais e os referentes a diferentes grupos sociais dentro de cada região demonstram a profunda discriminação social quanto à saúde, seja nos padrões de morbidade, de mortalidade, no acesso aos serviços, na qualidade do atendimento, na disponibilidade de infra-estrutura sanitária, enfim em qualquer aspecto da intervenção pública ou privada atinente à mesma. O compromisso de combater a marca da desigualdade no campo da saúde (aumentar os padrões de eqüidade do sistema de saúde) é o fundamento básico da política a ser desenvolvida.

Em artigo recente, publicado no Bulletin of the World Health Organization, lê-se: "Se o sistema de pesquisa em saúde de um país pode ser considerado como o "cérebro" do seu sistema de saúde, então a ética constitui a sua "consciência". É imperativo que sistemas de saúde operem segundo as mais altas aspirações éticas e de justiça distributiva". Não resta dúvida de que as crescentes restrições observadas nos países centrais quanto a experimentos in anima nobile dentro de suas fronteiras têm estimulado a exportação de projetos de pesquisa, em particular de protocolos de ensaios clínicos e terapêuticos para serem executados em populações de países em desenvolvimento, em condições que seriam legalmente proibidas porque eticamente inaceitáveis no país de origem. O respeito estrito a padrões éticos na pesquisa deve ser o segundo fundamento dessa política.

Uma PNCT&I/S voltada para as necessidades de saúde da população deveria ter como objetivo principal desenvolver e otimizar os processos de absorção de conhecimento científico e tecnológico pelas indústrias, pelos serviços de saúde e pela sociedade. O acatamento desta assertiva implica em analisar o esforço nacional de C&T em saúde como um componente setorial do sistema de inovação brasileiro. Reconhecendo a complexidade dos processos de produção de conhecimento científico e tecnológico neste setor, a política deve levar em conta de todas as dimensões da cadeia do conhecimento envolvida na pesquisa em saúde, desde a pesquisa que objetiva exclusivamente fazer avançar o conhecimento até a pesquisa operacional. Da mesma forma, deve incorporar a maioria dos atores envolvidos no processo de pesquisa no país, que podem ser englobados em quatro subconjuntos: biociências, pesquisa clínica, saúde coletiva e P&D no Complexo Industrial da Saúde.

Finalmente, a política deve adotar como diretriz a necessidade de estabelecer prioridades. Para isso, o ponto mais importante a ser contemplado é a necessidade de construção de uma agenda de prioridades para a pesquisa em saúde. Uma das principais características históricas do sistema brasileiro de fomento à pesquisa é sua baixa seletividade, significando uma insuficiente capacidade de estabelecer prioridades e segui-las. E para que esta política mais seletiva possa ocorrer num ambiente de maior racionalidade, na perspectiva do interesse do país, é necessária a organização das necessidades de pesquisa segundo um padrão de prioridades.

A agenda de pesquisa prioritária deverá governar a aplicação da totalidade dos recursos do Ministério da Saúde para a pesquisa científica e tecnológica. Para que isto seja feito de modo eficiente, na perspectiva do aumento do volume de recursos para o apoio à pesquisa, será necessário o desenvolvimento de novos instrumentos. No Brasil, com exceção da pesquisa agropecuária, não há uma tradição de agências setoriais de financiamento à pesquisa. Tanto no plano federal quanto nos estados, as agências são "generalistas", ocupando-se da totalidade do campo científico e tecnológico. Em paralelo ao processo de construção da agenda de prioridades, está também sendo discutida a criação de uma agência de financiamento específica para a pesquisa em saúde, vinculada ao Ministério da Saúde. Embora ainda não haja uma decisão tomada quanto à sua forma, é certo que a organização da agência deverá estar integralmente a serviço da agenda de prioridades de pesquisa em saúde.

O complexo industrial da saúde

Por fim, é preciso mencionar que uma política de pesquisa num país com as características do Brasil deverá dar uma atenção especial ao desenvolvimento tecnológico e à inovação e, para tanto, deverá incorporar propostas e ações especificamente dirigidas ao Complexo Industrial da Saúde. Essa atenção decorre do fato de possuirmos uma estrutura industrial complexa e, em alguns setores, competitiva e, como já vimos, uma importante capacidade instalada de pesquisa acadêmica e em alguns institutos de pesquisa. Esta ênfase decorre também do fato do país ter grande necessidade de utilização dos principais insumos industriais destinados à saúde - medicamentos, vacinas, soros, hemoderivados, kits diagnósticos e equipamentos - e de que um atendimento adequado dessas necessidades exige um máximo de capacitação tecnológica e, em vários aspectos, autonomia e auto-suficiência tecnológicas. Não deve ser desprezado o fato de que, nesse conjunto de produtos industriais o país apresenta hoje em dia um déficit comercial anual de US$ 3,5 bilhões.

Cada um desses insumos à saúde apresenta características industriais e mercadológicas particulares, muito embora todos eles tenham, em comum, o fato de serem segmentos industriais de grande dinamismo e lucratividade em termos mundiais. Além disso, no que se refere aos medicamentos e às vacinas pode-se testemunhar uma verdadeira revolução tecnológica nas últimas décadas. No plano da estrutura industrial, essa revolução vem promovendo um movimento de concentração de capital e de tecnologia que resulta em imensos conglomerados multinacionais que competem/repartem o mercado mundial de medicamentos e também de vacinas. Este é o terreno sobre o qual teremos que construir nossa política tecnológica e de inovação em saúde e que, por si só, sugere o tamanho das dificuldades a serem enfrentadas.

Sem dúvida, o campo mais desafiador e difícil é o dos medicamentos e fármacos, aonde o processo de concentração e repartição do mercado mundial vai mais avançado e que, em conseqüência da abertura comercial indiscriminada observada no Brasil durante a década de 90, fez o país recuar em relação ao que já havíamos conquistado em períodos anteriores. Este recuo nos fez perder terreno não apenas para os países líderes, mas também para outros países em desenvolvimento como a Índia e a China. Cerca de 30% das importações de fármacos e medicamentos realizadas atualmente pelo Brasil tem como origem países não pertencentes à OECD. A retomada de uma posição competitiva em relação ao mundo em desenvolvimento é uma tarefa básica da política tecnológica em saúde. O fortalecimento da empresa privada nacional e sua capacitação tecnológica é a rota mais importante para realizá-la. O grau de internacionalização do mercado de fármacos sugere que associações com empresas multinacionais onde estejam incluídos mecanismos de transferência tecnológica também sejam cogitados. Finalmente, não deve deixar de ser mencionada a necessidade de ampliar, capacitar tecnologicamente e melhorar os modelos de gestão das poucas, muito embora importantes, instituições públicas produtoras de medicamentos.

Diferentemente do que se observa para os medicamentos, a produção de vacinas e soros é predominantemente pública, havendo, portanto, melhores condições para a construção de uma política tecnológica focada nas necessidades nacionais. Nesse terreno, talvez o desafio mais importante seja o de não deixar aumentar excessivamente a distância entre o Brasil e o conjunto de países produtores no que se refere à tecnologia de novas gerações de vacinas. Com ainda maior razão do que no caso dos medicamentos, as ações voltadas ao fortalecimento, capacitação tecnológica e melhoria da gestão dos produtores públicos é uma tarefa essencial.

Hemoderivados, kits diagnósticos e equipamentos possuem, cada um, suas especificidades de mercado e essas devem ser estabelecidas, examinadas e detalhadas de per si. O importante é que a construção do componente tecnológico da política de pesquisa em saúde seja realizada com base em evidências concretas da situação de mercado, das possibilidades tecnológicas autóctones e, principalmente, das necessidades nacionais. Para tanto, é de especial importância a realização de estudos prospectivos que orientem informadamente a construção da política, com a mobilização dos principais atores e tomadores de decisão públicos e privados envolvidos.

Uma das principais características de uma política de tecnologia e inovação em saúde é a sua flexibilidade. A definição dos alvos prioritários, os arranjos institucionais mais adequados para cada objetivo e os mecanismos de fomento a serem acionados devem obedecer à avaliação de cada situação específica. A definição dos alvos prioritários deve ser produto dos mencionados estudos de prospecção e deverão compor a agenda de prioridades de pesquisa em saúde. Os arranjos institucionais deverão, sempre que possível, privilegiar as empresas públicas e privadas, agentes decisivos no desenvolvimento tecnológico e, principalmente, na inovação. Quanto aos mecanismos de apoio financeiro, o leque deve ser aberto desde o apoio direto ao desenvolvimento de projetos nas empresas, passando pelo financiamento de arranjos onde se componham instituições de pesquisa e empresas até a encomenda de projetos específicos a institutos de pesquisa e universidades. Além do financiamento direto, deve ser utilizada no limite do possível a capacidade de regulação do mercado por parte do Ministério da Saúde, através de suas compras de medicamentos, vacinas e outros insumos.

Reinaldo Guimarães é diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia em Saúde. Ministério da Saúde.

Cooperação entre Saúde e Tecnologia

Ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia renovam cooperação na área da pesquisa

Os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia firmaram nesta quinta-feira (23) renovação de termo de cooperação e assistência técnica para desenvolvimento de programa de fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica em saúde.

Na solenidade, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, informou que, em quatro anos, o investimento em pesquisas destinadas a solucionar problemas da área de saúde e de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) deverá chegar a R$ 500 milhões. Os recursos são provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científica e Tecnológico (CNPq) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

De acordo com o Mínistério da Saúde, desde 2004, a parceria entre duas instituições já viabilizou cerca de R$ 368 milhões para financiamento de mais de dois mil projetos, entre os quais estudos de terapia celular em cardiopatias e a Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Hospitais de Ensino.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse que a idéia é ter um olhar diferente sobre o espaço da saúde, juntando a ciência e tecnologia e definindo alvos e estratégias na área de equipamentos para, por exemplo, diagnóstico-terapia, drogas e medicamentos.

"É importante que tenhamos alguns focos", ressaltou Temporão. Segundo o ministro, um foco é saber quais são as doenças epidemiologicamente relevantes e que têm grande impacto na saúde da população. "De um lado, [saber] quais são as áreas em que o governo gasta muito dinheiro na importação de tecnologia. E, por outro lado, [saber] onde o Brasil já tem conhecimento acumulado, que pudesse ser alavancado e se desenvolver e produzir tecnologias, produtos, equipamentos para colocar à disposição do Brasil", ressaltou.

De acordo com Temporão, todos os anos, 22 mil pacientes portadores de cardiopatias recebem marca-passos no Brasil. "Importamos todos eles. Não há necessidade, poderíamos produzir todos aqui no Brasil", afirmou o ministro.

Para ele, é importante pensar como aliar o poder de compra do Estado, a ciência, a pesquisa, o desenvolvimento e a indústria nacional para reduzir o que chamou de vulnerabilidade da política de saúde. "O que é isso? É a dependência cada vez maior do Brasil para tratar dos problemas de saúde do Brasil com tecnologias desenvolvidas lá fora."

O ministro Sérgio Rezende lembrou que a indústria de alta tecnologia depende de apoio do governo, de decisão de empresários e de mercados com uma certa garantia. "Em qualquer país do mundo, o poder de compra governamental é um mecanismo importante para desenvolver a indústria. E o Brasil praticamente não tem utilizado isso. No lado do medicamento isso também ocorre. Nós hoje, com exceção de fitoterápicos e certos medicamentos, os medicamentos mais complexos, todos os usados no Brasil têm os fármacos, as moléculas desenvolvidas fora do Brasil", disse.

Rezende destacou que, na área da saúde, um componente importante são os equipamentos de diagnóstico e que grande parte destes, principalmente os mais sofisticados, são importados. "E nós temos capacitação no Brasil em termo de engenharia eletrônica e desenvolvimento, e várias universidades que vêm desenvolvendo equipamentos, que certamente têm custo menor que os importados, mas muitos deles não chegaram a levar à criação de empresa, porque não havia um mercado assegurado para isso", afirmou.

Luciana Vasconcelos - Agência Brasil
Ações do documento

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Malefícios da tecnologia


No ápice da revolução industrial, o mecanicismo era um grande mal, aliado às jornadas de trabalho extensas e o trabalho exaustivo e repetitivo do homem-máquina. Isso fez com que surgissem as associações de classe para lutar pelo direito do trabalhador. Mas, veja bem, nessa época ninguém sofria de LER ou stress. Não que esteja defendendo o modelo anterior, apenas criticando o atual.

Hoje temos máquinas que substituem a maioria do trabalho braçal. O maquinário que temos que lidar não nos exige esforço sobre-humano e nossa jornada está reduzida (teoricamente) a 8 horas diárias. No entanto é cada vez mais comum um afastamento por L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo) ou stress. E qual a causa disso?

O mau uso da tecnologia

Nós criamos máquinas que nos fizeram produzir mais em menos tempo. E o que fizemos com o tempo que sobrou? Ora, produzimos mais. Nos esforçamos todos os dias para ganhar tempo e, infelizmente, utilizamos esse tempo para trabalhar ainda mais. Hoje temos diversas doenças ou síndromes que estão diretamente (e equivocadamente) associadas à tecnologia. Mas é o seu mau uso que acarreta em problemas.

L.E.R – Para quem trabalha com computadores, sua maior incidência é nas mãos, antebraços e ombros. Na grande maioria das vezes é causado por má postura e uso inadequado de móveis, assim como os fatores ergonômicos dos mesmos.

O computador corretamente utilizado, deve estar numa posição tal que o braço do utilizador forme um ângulo de 90 graus com o antebraço ao digitar no teclado. As mãos não devem estar apoiadas na mesa e o ombro deve estar relaxado. Ao elevar o ombro para que as mãos alcancem o teclado, cria-se tensão no trapézio comprimindo um importante nervo que sai do pescoço e percorre o braço, podendo causar inflamação e dor (muita dor).

STRESS – O uso contínuo do computador sem pausas para descanso, associado ao ritmo acelerado da prática diária assim como a forma de trabalho “multi-tarefa”, muito comum no meio informático, é uma potencial causa de stress no trabalho. É aconselhável levantar-se periódicamente e esticar o corpo, fazer alguns exercícios, distrair-se, beber uma água, ver o sol. Qualquer pretexto para abandonar o computador por 5 minutos é bom o suficiente para ser estimulado. É importante também procurar viver “de bem com a vida”, para evitar a estafa.

VARISES e problemas circulatórios – Muito tempo sentado (ou de pé) faz com que o sangue tenha mais trabalho para percorrer o caminho normal dentro do corpo, além de concentrá-lo nas pernas por muito tempo. Isso pode acarretar desde simples varises ou casos mais graves. O conselho para o stress também vale para esse parágrafo, além de uns exercícios no ambiente de trabalho. Ao chegar em casa, é bom passar um tempo literalmente com os pés para cima.

PROBLEMAS DE VISÃO – Quantas pessoas você conhece que trabalham com computador e não usam óculos? Os monitores CRT são piores que a televisão por dois motivos claros: sua resolução é maior e suas imagens mais estáticas por mais tempo faz com que os olhos percebam mais claramente a taxa de atualização da tela; e além disso estamos muito próximos a ele, ficando mais expostos. Regular o seu monitor para uma frequência acima de 75Hz, equilibrar cor, brilho e contraste para que não seja necessário forçar a vista para ler, dar um descanso periódico são alguns conselhos para manter a saúde visual.

O EREMITA – Não é bem uma doença, mas um mal que atinge principalmente os workaholics e adolescentes. Passar muito tempo com o computador, fazê-lo o centro de sua vida é uma atitude que pode parecer muito prática – quem quer pegar fila para pagar aquela conta? – mas em muitos momentos pode sinalizar uma tendência ao isolamento. O convívio social é importante tanto na sua vida pessoal quanto profissional. Um happy hour com os amigos, um cinema com a namorada (se você ainda tem uma), passear com o cachoro no parque são atitudes saudáveis e que não vão tirá-lo de suas obrigações. Dê um tempo e pare de trabalhar nesses períodos, mesmo que esteja chovendo e você esteja sozinho. Uma boa hora para alugar aquele filme de suspense que você queria assistir faz tempo.

O mais importante é manter sempre em mente que o computador é uma ferramenta, pode ser de trabalho ou diversão, mas como toda ferramenta o bom uso é essencial para o bom funcionamento e satisfação dos objetivos do mesmo.